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quarta-feira, agosto 31, 2005 

Prazo de validade eterno no frigorífico da democracia nacional



Fica-lhe bem apenas o facto de ter sido o primeiro a acabar com esta ridícula mania do candidato a candidato. Aliás, fica-lhe menos mal, porque Jerónimo de Sousa já tinha cortado a direito.
O combate político vindouro que ilustres analistas têm perspectivado e com o qual, sorridentes, tanto se têm regozijado, lembra-me a patética antevisão de um combate de boxe americano.
A democracia não é o "Thrilla in Manila" entre o Muhamad Ali e o Joe Frazier. Nem o "Rumble in the jungle".
Estou-me perfeitamente nas tintas (e espero não ser só eu) para pesos pesados recauchutados e o frissom da imprevisibilidade de um resultado tão supostamente taco a taco. Interessam-me outras coisas.

Interessa-me que, se Soares e Cavaco nos deixaram legado político (bom ou mau), é óbvio que relativamente a legado de formação política, neste país de idólatras, em parte graças a eles, estamos às escuras.
Porque ou não há ninguém, ou o temor reverencial (do qual, pelo menos, Helena Roseta não padece) é simplesmente demasiado.

Reflectiram, desdisseram-se e reflectiram, voltaram a desdizer-se para se candidatar.
Quando todos sabemos que não é, nem foi bem assim.
O período de reflexão foi brutal, enorme. Todas as condicionantes devem ter sido cuidadosamente ponderadas e a decisão foi sempre periclitante até que à última, hoje, Soares pendeu para o sim. O outro ainda pondera circunstâncias infindáveis.

Infelizmente, constato que o problema não é em que é que eles reflectem.
O problema é o que eles reflectem.
Reflectem um falso e bacoco espírito de missão, qual junta de salvação nacional, um papado de transição (no caso de Soares), um apego ao poder quase salazarista, o gosto (um pouco ao jeito de António Vitorino, mas superior) pela canalização do protagonismo e a razoabilidade da indecisão.
Reflectem a tábua rasa da rotatividade democrática e reflectem ambos um enorme desrespeito pela cultura partidária.

Soares e Cavaco, esses dois monstros políticos, subiram a um pedestal superior, quase transcendente, do alto do qual já não se encontram cativos da cultura de partido. Cavaco Silva, esse então, demonstrou-o sem qualquer pejo, durante mais de cinco anos.

E, tristemente para o nosso país, vão sendo estas coisas, e não outras, que ajudam a decidir o voto.
E, muito tristemente, são estas coisas que me ajudaram, ainda tão longinquamente, a decidir o meu.

apesar de agora não ter tempo para o comentar devidamente, devo dizer-te que este post é muito mau, pedro.
moralista, preconceituoso, especulativo e num tom desagrável para a leitura.
deixa a política e volta ao que sabes fazer. eu sei que isto te passa rapidamente.

És muito bom com adjectivos.

Amanhã, quando tiveres tempo, depois de discutirmos melhor estas questões, prometo escrever um post mais agrável para a tua leitura.

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